Anna Chapman. A espia que virou heroína nacional na Rússia
por Sara Sanz Pinto, Publicado em 31 de Março de 2011
A ex-agente secreta russa detida pelo FBI e expulsa dos Estados Unidos tem agora um programa de televisão semanal
Quando Anna Chapman, de 29 anos, foi detida pelos serviços secretos norte-americanos num café, em Junho, por suspeitas de espionagem, muitos pensaram que o destino da voluptuosa ruiva seria ficar esquecida na Rússia. Mas, passados dez meses da extradição, a filha de um diplomata russo é raramente vista longe da exposição mediática e afirma, no seu recente site, que o dia em que regressou a Moscovo “foi como um segundo nascimento”. Agora, além de heroína nacional, Chapman tem um programa semanal na televisão.
“Porque é que algumas pessoas são marcadas pela morte e outras conseguem escapar?”, pergunta a agente secreta mais sexy desde Mata Hari no início das gravações de um dos seus programas televisivos testemunhado pela BBC. “Mais de um milhão de russos morrem todos os anos. Quase 40 mil em acidentes na estrada”, avança, de forma sugestiva, com um vestido azul provocante e sapatos de salto alto. O programa chama-se “Segredos do Mundo” e é exibido pelo canal Ren TV.
Além da carreira televisiva e de modelo, Chapman não pára e é também conselheira de investimento num banco, voluntária em instituições de caridade e a cara de uma campanha de internet de alta velocidade. Foi eleita uma das mandatárias para a Juventude do partido político de Vladimir Putin e correm rumores de que poderá candidatar-se ao parlamento este Outono. “Tudo aquilo que vou dizer é que estou interessada em ajudar outras pessoas”, respondeu quando questionada sobre a sua futura incursão política.
Como espia que foi (ou ainda é?) Anna é mestre no bluff. “Disse que eu era uma agente?”, questionou na primeira entrevista que deu em língua estrangeira desde a detenção pelo FBI. “Nunca vou desmentir ou confirmar esse facto”, disse com ar sedutor. Se é certo que já se esperava certa notoriedade na Rússia, depois da sua expulsão dos EUApor espionagem, a verdade é que a sua ascensão exponencial superou muitas expectativas. Segundo o “The Guardian”, pouco tempo depois de Chapman e outros nove espiões terem sido detidos nos EUA, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, garantiu que todos iriam trabalhar “em posições importantes” e viveriam vidas “resplandecentes e interessantes”. “Cada uma destas pessoas passou por tempos difíceis […] pelos interesses da sua nação”, disse ainda Putin, também ele ex-agente (e depois director) dos serviços secretos (o antigo KGB), que num jantar com os espiões cantou no karaoke o hino não oficial dos serviços secretos russos “De Onde a Pátria Começa”.
Anna foi também homenageada pelo presidente Dmitry Medvedev, posou para revistas masculinas a troco de um pecaminoso cachê e foi convidada pela Vivid Entertainment para participar num filme pornográfico. A ironia do caso é que Chapman não pára de ser recompensada por ter feito mal o seu trabalho. Não só foi apanhada pelo FBI, como não foi capaz de fornecer uma única informação útil a Moscovo. Mas isso também já não interessa nada. A antiga agente já registou o seu apelido (aliás, o do ex-marido, Alex, com quem se casou enquanto viveu em Inglaterra e se divorciou quatro anos depois), lançou uma aplicação de póquer para smartphones e vários produtos com a sua marca, como perfumes, relógios e vodka, devem chegar às lojas em breve.
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