Fenprof encena "Caldeirada da Avaliação" à porta do Ministério e exige novo modelo que sirva os professores

por Agência Lusa, Publicado em 29 de Março de 2011   
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Dirigentes da Fenprof concentraram-se hoje junto ao Ministério da Educação (ME) para mostrarem satisfação pela revogação do regime de avaliação ao qual se opunham e manifestarem disponibilidade para ser encontrado um novo modelo que sirva escolas e professores.

A iniciativa contou com a presença de dirigentes sindicais do Alentejo e Algarve e foi a terceira de um conjunto de manifestações junto ao ME, que a Fenprof apelidou de “manifestódromo”, tendo tido por tema a avaliação dos professores.

Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, considerou que as posições tomadas por professores e escolas ao longo do tempo, e sobretudo a partir de janeiro, foram “muito importantes” para a decisão da Assembleia da República (AR) de revogar o modelo de avaliação.

“Estamos aqui para dizer que aquele regime de avaliação não era bom, mas também para dizer da nossa satisfação por ter caído e da nossa disponibilidade para encontrar um modelo que sirva às escolas e aos professores”, afirmou.

Os sindicalistas encenaram uma rábula que incluía um mascarado de ministra da Educação e outro de ministro das Finanças e que consistia em fazer uma “Caldeirada da avaliação” dentro de um caldeirão, que no final se entornava.

Antes da encenação, Mário Nogueira prestou alguns “esclarecimentos” ao primeiro-ministro, à ministra da Educação e ao grupo parlamentar do PS.

Lembrando que José Sócrates declarou a 27 de março que seria agora necessário explicar aos professores com Muito Bom e Excelente por que tinha sido revogada a sua avaliação, Mário Nogueira sublinhou que a avaliação suspensa foi a do ciclo em curso e não a do anterior, que já terminou e cujas menções já foram atribuídas.

“A esses professores e a todos os que obtiveram Bom é que deve ser explicado pelo primeiro-ministro e o seu Governo por que é que tendo sido avaliados com Bom ou menção superior estão impedidos de progredir desde janeiro, viram as suas carreiras congeladas, não lhes será contado o tempo de serviço em 2011 e foi imposto um roubo mensal ao seu salário”, disse.

Quanto à ministra da Educação, Mário Nogueira acusou-a de falta de seriedade política, por dizer que o regime de avaliação resultou de um acordo assinado com os sindicatos: “Integrou um acordo sobre carreiras, mas constituiu matéria de que a Fenprof discordou”, esclareceu o sindicalista.

Ao grupo parlamentar do PS disse será “difícil” pedir a fiscalização sucessiva da constitucionalidade da revogação da avaliação devido à previsível dissolução da AR antes da publicação da decisão do parlamento.

A Fenprof sugere por isso aos socialistas que “aproveitem os dias antes da dissolução da AR para requerer a fiscalização sucessiva e abstrata da constitucionalidade de medidas como a redução do salário ou o congelamento das carreiras”.

O último protesto do "manifestódromo" está marcado para quinta-feira e será dedicado aos horários e condições de trabalho, com dirigentes sindicais de Lisboa.

No sábado haverá uma marcha, do Marquês de Pombal até à AR, composta por professores e outros movimentos e entidades ligadas à Educação, para chamar a atenção para temas como os mega-agrupamentos e o encerramento de escolas.

 



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