Demissão

Jaime Gama: "Reservo as minhas palavras para o Conselho de Estado"

por i com Agência Lusa, Publicado em 28 de Março de 2011   
Opções
a- / a+

O presidente da Assembleia da República esteve reunido hoje durante 45 minutos com o chefe de Estado, que o quis ouvir sobre a situação política e o “calendário de decisões” que terá de tomar devido à demissão do primeiro-ministro.

“O senhor Presidente da República quis ouvir-me sobre a situação política e sobre o calendários de decisões que terá que tomar”, afirmou o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, em declarações aos jornalistas no final da audiência, que decorreu no Palácio de Belém.

Numa declaração aos jornalistas, sem perguntas, Jaime Gama explicou ainda a razão para ser tão parco em palavras, considerando que neste “momento difícil” todos devem ser responsáveis.

“Compreendam que não faça declarações que não sejam estas, terei, aliás, a oportunidade como membro do Conselho de Estado de exprimir aí novamente as minhas opiniões, mas reservo as minhas palavras, porque considero que não devemos adicionar palavras que contribuam para não resolver os problemas do país”, declarou, sublinhando que este é “um momento difícil” para a economia e para a vida de portugueses.

“Naturalmente todos devemos ser responsáveis ao enfrentar estes momentos”, acrescentou ainda o presidente da Assembleia da República.

Na sexta-feira, dois dias depois de o primeiro-ministro ter apresentado a demissão do cargo, o Presidente da República recebeu todos os partidos com assento parlamentar.

No final das audiências, todas as forças partidárias defenderam a realização de eleições antecipadas como a única forma de resolver a crise política aberta com a demissão do primeiro-ministro.

A data mais repetida pelos partidos da oposição foi o dia 05 de junho, defendida pelo PS, BE, PCP e PEV.

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, foi o único a defender a data de 29 de maio.

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, não avançou com qualquer data, mas defendeu igualmente que as eleições devem realizar-se "tão cedo quanto for possível".

Caso opte pela convocação de eleições antecipadas como forma de resolver a crise política desencadeada pela demissão de José Sócrates, Cavaco Silva terá ainda de ouvir o Conselho de Estado antes de dissolver a Assembleia da República.

Já esta manhã, numa nota divulgada no ‘site’ da Presidência da República foi anunciada a lista das cinco personalidades indicadas por Cavaco Silva para o Conselho de Estado, o órgão político de consulta do chefe de Estado.

Além de João Lobo Antunes, Leonor Beleza, Marcelo Rebelo de Sousa, Vítor Bento, que já integravam o Conselho de Estado por indicação de Cavaco Silva no primeiro mandato do Presidente da República em Belém, também o antigo-ministro Bagão Félix passará agora a ser conselheiro de Estado.

O antigo ministro substitui, assim, o também democrata-cristão Anacoreta Coerreia.


*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close