O candidato socialista à presidência da Câmara de Oeiras, Marcos Perestrello, criticou, em declarações à Lusa, aquela autarquia por "ver andar os comboios" no Estádio Nacional, "sem licenciar nenhuma obra" e "desprezando o espaço circundante".
Depois de ter admitido embargar a obra do novo Campo de Golfe do Complexo Desportivo do Jamor (CDJ) caso o gestor do espaço, o Instituto de Desporto de Portugal (IDP), não apresentasse à autarquia o projecto para parecer (que apesar de não ser vinculativo é obrigatório), a Câmara Municipal de Oeiras admitiu que "o espaço deveria ser gerido pela autarquia".
Em reacção a esta questão, Marcos Perestrello considerou que a Câmara de Oeiras "anda há vários anos a ver passar os comboios: o IDP tem feito um conjunto muito significativo de obras no Jamor e nenhuma dessas obras foi alguma vez participada ou licenciada pela autarquia".
"Nem do espaço circundante -- que é sua competência -- trata. Basta lembrar a rotunda em frente ao complexo de piscinas que ainda é feita com dispositivos móveis de sinalização de obras", criticou.
Quanto à acção popular e as críticas de que o novo Campo de Golfe do Jamor tem sido alvo, Marcos Perestrello considerou que "a obra está a acontecer sem informação" e que "é preciso haver uma informação detalhada sobre o tipo de intervenção que lá se está a fazer".
O candidato socialista à presidência da Câmara de Oeiras defendeu um "mecanismo de gestão partilhada - entre o IDP e a autarquia - para que aquele espaço possa servir a população escolar, os clubes, as associações desportivas locais, etc".
Também o líder de bancada do PSD em Oeiras, Jorge Pracana, defendeu que, "dentro do princípio de que o Estado nem a todas coisas consegue chegar bem e depressa", tem "toda a razão de ser, que a Câmara assuma a gestão daquele espaço".
Quanto à obra, o PSD em Oeiras considera que aquela zona do CDJ "tal qual como se encontrava não dignifica o espaço nem a população que poderia usufruir, portanto qualquer solução sempre será melhor do que aquela que lá se encontrava".
Contactado pela Lusa, o líder concelhio do Bloco de Esquerda em Oeiras, Francisco Silva, que esteve presente numa recolha de assinaturas com a população que se opõe à construção do Campo de Golfe no Estádio Nacional, opôs-se à "delapidação do espaço público", que a seu ver aquela obra representa, acrescentando que "todas as pessoas tem direito a usufruir do espaço".
Francisco Silva congratulou-se com a tomada de posição da autarquia, tanto de admitir embargar a obra, como de assumir que a vontade da gestão do espaço, sublinhando, no entanto, que "enquanto a Câmara não apresentar nenhum projecto para aquele espaço, não pode requerer a sua gestão".
A Lusa tentou também contactar fonte da CDU em Oeiras, mas não foi possível recolher uma reacção do candidato daquele partido à presidência da autarquia.




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