José Sócrates insistiu hoje na necessidade de haver estabilidade política e do combate às especulações. "O país só enfrentará as suas dificuldades com estabilidade política, qualquer crise política prejudicaria a economia", afirmou o secretário-geral do PS na apresentação da moção global de estratégia nacional do seu partido, "Defender Portugal, Construir o Futuro".
A estabilidade política é o tema eleito para orientar a moção de José Sócrates ao Congresso do Porto do PS que tem um objectivo claro: "O combate às ameaças de crise política e às especulações sobre instabilidade que têm surgido frequentemente pelos partidos de direita", pode ler-se no documento.
Para o secretário-geral do PS - que apresentou hoje publicamente o documento - "Portugal só terá sucesso se tiver estabilidade política", afirmando que a estabilidade é "condição de respeito pelo esforço que os portugueses estão a fazer para a consolidação das contas públicas".
Sócrates acrescentou, ainda, que a estabilidade política significa o "respeito pela vontade dos portugueses, uma vontade expressa nas últimas eleições". Deixou críticas veladas ao PSD: "Num dia falam de estabilidade, no outro ameaçam com crise política". E garantiu que "PS e governo vão criar condições com vista a uma solução de estabilidade".
Para além da insistência na estabilidade política, Sócrates aproveitou para distanciar o PS dos partidos à direita, criticando as propostas do PSD e CDS-PP para os contratos a prazo, recentemente chumbadas na Assembleia. "Há partidos que querem instrumentalizar esta crise para impor as suas agendas ideológicas. Como se defende a empregabilidade dos jovens permitindo que o contrato a prazo seja oral? Isto significa instrumentalizar o problema para impor uma agenda. Não ajuda nada a criar emprego, só desequilibra."
O secretário-geral do PS afirmou o partido como sendo de "centro-esquerda", uma tentativa de recentrar o partido depois de nas eleições presidenciais ter apoiado o mesmo candidato, Manuel Alegre, do que o Bloco de Esquerda.
O balanço dos últimos seis anos de governo não foi esquecido com Sócrates a afirmar que o PS tem sido o partido "que mais tem defendido os portugueses" e "nunca sacrificou os interesses do país".
O primeiro-ministro relembrou que Portugal é "um dos países mais avançados do mundo no campo das energias renováveis" e teve muitos progressos ao nível da educação. "O objectivo não é dar educação a todos, é dar a todos uma boa educação para o futuro", referiu.
As directas para a liderança do PS serão nos próximos dias 25 e 26 de Março. António Brotas, Fonseca Ferreira e Jacinto Serrão disputam o lugar com José Sócrates que deverá ser reeleito como secretário-geral.




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