O líder do PSD considerou hoje "natural" que o primeiro-ministro esteja preocupado em garantir no exterior apoio para Portugal, sublinhando que é dessa forma que interpreta o encontro da próxima semana entre José Sócrates e a chanceler alemã.
Questionado sobre o encontro que o primeiro-ministro e a chanceler alemã, Angela Merkel, terão na quarta-feira em Berlim, Passos Coelho disse ter tido conhecimento da reunião pela comunicação social, não podendo por isso "formular um juízo" sobre o seu conteúdo.
Contudo, acrescentou o líder do PSD, é "perfeitamente natural que o primeiro-ministro nesta altura esteja preocupado na frente externa em garantir apoio para Portugal".
"É assim que interpreto esta reunião", referiu.
Na agenda do encontro de Sócrates com Merkel estará a preparação das cimeiras europeias de março – o Conselho Europeu extraordinário de 11 de março e o Conselho Europeu de 24 e 25 de março – e a forma como o Fundo Europeu de Estabilização Financeira ou o mecanismo que lhe suceder poderá ser utilizado para ajudar de forma mais efetiva os países em dificuldades com dívidas soberanas, como Portugal.
Antes, na intervenção que fez na última sessão do conselho consultivo da revisão do programa do PSD, que decorreu num hotel em Lisboa, Passos Coelho tinha já falado sobre a "a situação difícil" do país, explicando porque, em seu entender, o Governo não a quer assumir.
"Se nós hoje ouvimos o Governo, a começar no primeiro-ministro e a acabar no mais incógnito secretário de Estado dizer que Portugal não precisa de ajuda, nós percebemos o que se está a passar: o Governo colocou o país numa situação de grande vulnerabilidade, mas não querem assumir", disse.
Pois, acrescentou, "assumir que o país está numa situação de grande vulnerabilidade e que perdeu graus de liberdade ao longo deste anos seria assumir a sua própria responsabilidade nesse resultado".
"Se hoje estamos na situação difícil em que estamos, a precisar de ajuda, a precisar que os mecanismos europeus se possam aligeirar e que ainda vão a tempo de ajudar Portugal, representa apenas o desespero de quem se deixou de colocar na situação de maior vulnerabilidade e fragilidade que não é desculpável", frisou, considerando que "essa perda de liberdade penaliza todos os portugueses".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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