O presidente da SEDES, Luís Campos e Cunha, disse hoje que um hipotético recurso de Portugal ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) seria um "selo de incompetência" para o país.
"Isto [pedido de ajuda] seria o selo internacional da nossa incompetência", referiu Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças e presidente do Conselho Coordenador da Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES).
O responsável fez hoje uma análise às perspetivas existentes para a economia portuguesa em 2011, numa conferência promovida pelo Diário de Notícias, a primeira de um ciclo de seis, e da SEDES, a propósito do 40.º aniversário desta entidade.
O cenário mais positivo para a economia portuguesa, no qual Campos e Cunha acredita cada vez menos, é que Portugal registe um crescimento entre 0 por cento e 0,5 por cento, considerando o presidente da SEDES que, neste caso, se trataria de uma recessão, mas passageira, sem recurso ao Fundo Europeu e ao FMI, com uma acalmia da taxa de juro da dívida portuguesa nos mercados.
Mas Campos e Cunha lembrou que a análise consensual aponta para uma recessão entre -1,2 por cento e -1,3 por cento este ano.
"Este cenário não é credível, porque um intervalo desta natureza torna o exercício orçamental para 2011 virtualmente impossível" e implica o pedido de ajuda às entidades internacionais.
O responsável frisou que esta situação pode ainda ser agravada por um problema bancário, "que é culpa do Governo", já que não conseguiu evitar a descida do 'rating' do país atempadamente.
O cenário pessimista, salientou Campos e Cunha, é uma quebra do PIB entre 3 por cento e 3,5 por cento.
"Começo a ficar mais pessimista", admitiu, explicando que "Portugal foi lento a intervir" perante a grave crise internacional.
"Portugal devia ter tomado medidas no início de 2009, no final de 2009, no início de 2010 e, sobretudo, o Governo devia ter evitado a todo o custo o corte do 'rating' da República", que Campos e Cunha considerou "catastrófico".
O presidente da SEDES disse que "não há crise nenhuma do euro" e deu o exemplo que a cidade de Nova Iorque também esteve falida e ninguém sequer se lembrou de pedir a Nova Iorque para sair do dólar e começar a funcionar com outra moeda, ou seja, na sua opinião, Portugal não vai poder sair do euro. E deu como exemplo, para ilustrar esta convicção, que se uma empresa tem um contrato estabelecido em euros e depois passasse a ter que renegociá-lo para escudos, "seria o pandemónio total".
Apelidando a pressão dos mercados sobre a dívida portuguesa como "uma apendicite" que tem que ser resolvida, Campos e Cunha disse que o país não pode sair do euro "de forma ordeira, nem tem vantagem nisso".
O presidente da SEDES considerou ainda que Portugal "tem um problema mais grave, que é a crise do sistema político e de representatividade" que, defendeu, "só pode ser resolvido pela sociedade civil".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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