Pelas ruas de Tripoli ouvem-se disparos de artilharia pesada

por Agência Lusa, Publicado em 21 de Fevereiro de 2011   
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A situação em Tripoli é de extrema tensão, com cadáveres espalhados pelas ruas e disparos de artilharia pesada ouvidos em várias zonas da capital da Líbia, indicaram hoje testemunhas citadas pela agência EFE.

A agência cita residentes em diferentes bairros de Tripoli a indicarem que o som de tiroteio é quase contínuo e que são também ouvidos tiros de artilharia pesada.

No centro de Tripoli vários edifícios do governo foram incendiados hoje de madrugada por manifestantes que exigem o afastamento de Muammar Kadhafi, no poder há 41 anos, noticiou a televisão árabe Al-Arabiya.

Os tiros foram sentidos especialmente no bairro residencial de Ben Achur, de classe alta, onde a noite de domingo "foi um inferno", segundo disse, em declarações à EFE, uma habitante desta zona.

"Todo o bairro ficou sem eletricidade e ouviam-se tiros na rua", afirmou a mesma testemunha, que trabalha para uma grande organização internacional.

Em outra zona residencial, a cerca de nove quilómetros do centro de Tripoli, foram ouvidos tiros de artilharia pesada, segundo os habitantes desta área, onde um filho de Muammar Kadhafi e vários conselheiros do regime têm casa.

Na avenida Gargares, a principal do centro de Tripoli, os tiros também são ouvidos de forma constante, acontecendo o mesmo no bairro de Garabuli, também no centro da capital.

Um trabalhador de uma empresa petrolífera, que foi hoje retirado da capital, disse à EFE ter visto a caminho do aeroporto "vários cadáveres abandonados nas ruas", uma informação que foi confirmada por outros habitantes.

De acordo com a cadeia de televisão árabe Al-Jazira, que cita testemunhas em Tripoli, aviões e helicópteros bombardearam hoje manifestantes em várias zonas da capital líbia. O canal de televisão avança ainda que terão morrido pelo menos 250 pessoas.

No aeroporto de Tripoli, o caos está instalado, com centenas de pessoas, estrangeiros e líbios, a tentarem encontrar um voo para sair do país.

Ao mesmo tempo, a maioria dos imãs (sacerdotes muçulmanos) das mesquitas do país rejeitaram um discurso que tinha sido preparado pelo líder líbio e pediram à população para sair à rua e lutar contra o regime, segundo várias fontes e testemunhas que estiveram hoje presentes nas orações nos templos.

Segundo fontes diplomáticas na capital líbia, a noite de hoje poderá ser crucial para o desenvolvimento dos acontecimentos.

Os protestos na Líbia, em que a contestação popular exige o fim do regime de Muammar Kadahfi, iniciaram-se a 15 de fevereiro. Os tumultos têm-se registado sobretudo no leste do país, na região da segunda maior cidade líbia, Benghazi.

Segundo a organização internacional de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch, 233 manifestantes foram mortos, número que as autoridades negam, confirmando apenas a morte de 84 pessoas.

Outra organização, a Federação Internacional das Ligas de Direitos Humanos (FIDH), referiu que, desde o início do movimento de revolta popular na Líbia, morreram entre 300 e 400 pessoas.



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