Berlusconi. Julgamento do caso Rubygate começa a 6 de Abril

por Sara Pereira, Publicado em 16 de Fevereiro de 2011   
Berlusconi, que recebeu a notícia na Sicília, não reagiu à decisão da juíza, mas voltou de imediato a Roma.
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O caso Rubygate vai levar Silvio Berlusconi a sentar-se no bando dos réus no dia 6 de Abril, sem passar por audições preliminares. A decisão da juíza Cristina di Censo foi divulgada ontem, depois de, na semana passada, a Procuradoria de Milão ter entregue o pedido formal de julgamento imediato pelo caso Rubygate.
A primeira audiência será na 4ª Secção Penal do Tribunal de Milão, pelo que será presidido pelas juízas Carmen d''Elia, Orsola de Cristofaro e Giulia Turri. Berlusconi, que se encontrava na ilha de Sicília quando a notícia lhe foi comunicada, cancelou de imediato uma conferência de imprensa agendada para ontem sobre a chegada em massa de imigrantes tunisinos ilegais a Lampedusa e dirigiu-se à capital italiana, onde chegou por volta das 12h.
Berlusconi é acusado de ter pago a várias mulheres em troca de sexo entre as quais Karima "Ruby Rubacuore" el-Mahroug, na altura com 17 anos. A jovem marroquina tornou-se o rosto do caso Rubygate depois de ter sido detida por roubo e de Berlusconi ter, alegadamente, utilizado a sua influênciapara a libertar. A jovem foi então entregue a Nicole Minetti, actualmente conselheira regional do Poppolo della Libertà e suspeita de contactar mulheres para as festas sexuais nas villas de Berlusconi.
O líder do governo afirmou mesmo que el-Mahroug é sobrinha do deposto líder egípcio Hosni Mubarak, mas admite que o fez por pena. O abuso do seu poder oficial contra o Ministério do Interior - que comanda as autoridades italianas - pode custar-lhe até 12 anos de prisão, em adição a um máximo de três anos por incitamento à prostituição juvenil. Porém, o arguido tem 15 dias úteis para decidir se opta por um julgamento abreviado, que lhe pode reduzir a pena em um terço do tempo.


Provas suficientes Os procuradores, apoiados agora por di Censo, consideraram haver provas suficientes para levar o primeiro-ministro italiano directamente a tribunal sob acusações de frequentar prostitutas menores de idade e de abuso de poder. Vários documentos entregues a di Censo apontam que Berlusconi pagou a várias mulheres que frequentam as vivendas em Arcore, entre elas Ruby e Noemi Letizia, a jovem que espoletou o primeiro escândalo sexual em 2009, quando Berlusconi entregou, pessoalmente, um colar em ouro e diamantes no seu 18º aniversário. Letizia admitiu manter uma relação com Il Cavaliere. O caso foi o suficiente para acabar com o casamento de Berlusconi com Veronica Lario, que disse na altura que o marido é "doente" por manter "relações com menores".
O primeiro-ministro não reagiu publicamente à decisão judicial, ao contrário dos seus opositores. O porta-voz do Partido Democrático, Dario Franceschini, defende que Berlusconi se deve demitir "para poupar o seu país à vergonha de ter um primeiro-ministro processado por prostituição de menores e abuso de poder" e que "deve defender-se perante os juízes como todos os que não têm nada a esconder".
Já o ministro da Justiça, Angelino Alfano, critica um julgamento que "põe em causa a soberania e independência do Parlamento". A câmara de deputados decidiu a semana passada que o caso deve ser julgado pelo tribunal de ministros.



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