Brasil. Dilma acaba com estímulos à economia para travar inflação
por Margarida Bon de Sousa e Ana Suspiro, Publicado em 12 de Fevereiro de 2011
Medidas do novo governo foram elogiadas pelo FMI, que alertou para uma maior apreciação da moeda brasileira
O governo do Brasil vai cortar 50 mil milhões de reais (22 mil milhões de euros) de gastos a fim de conter a inflação e evitar o sobreaquecimento da economia. O anúncio foi feito pelo ministro das Finanças, Guido Manteiga, que acrescentou que todos os estímulos à economia introduzidos desde a crise financeira mundial serão retirados.
No mês passado, o banco central do Brasil aumentou os juros a fim de conter a inflação, tendo elevado as taxas de 10,75% para 11,25%. Este foi o primeiro aumento decidido pelo executivo da recém-eleita presidente, Dilma Rousseff, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que assumiu o cargo o mês passado.
A economia do Brasil, a maior da América Latina, cresceu mais de 7% em 2010, estimando-se que este ano aumente entre 4,5% e 5%. No ano passado, a inflação foi de 5,91%, prevendo-se para este ano um decréscimo de cerca de um ponto percentual.
A subida das taxas de juro e os cortes nos gastos anunciados pelo governo brasileiro foram classificados como uma boa notícia por Kathryn Rooney, citada pela Bulltick Capital Markets. "Esta é também uma boa notícia para futuros upgrades do rating do país", disse a mesma fonte, acrescentando que agora é menos provável que o banco central volte a aumentar as taxas de juro.
No entanto, alguns analistas consideram que o Banco do Brasil deveria ter aumentado mais as taxas de juro. "Esta é uma oportunidade perdida porque se o governo pretende manter um impacto positivo sobre as expectativas inflacionistas deveria ter anunciado cortes da ordem dos 70 mil milhões de reais (cerca de 50 mil milhões de euros)", disse Nick Chamie, da RBC Markets.
FMI Elogia O Fundo Monetário Internacional também considerou um bom sinal os cortes orçamentais anunciados pelo governo brasileiro. "O que Dilma fez em termos de consolidação orçamental é um bom sinal", declarou o director do FMI para a América Latina, Nicolás Eyzaguirre. "Uma maior apreciação do real poderá ser perigosa", advertiu ainda aquele responsável.
Os problemas do Brasil são idênticos aos enfrentados pela maioria dos países emergentes, em particular os da América Latina. "O que estes países deveriam fazer, e já estão a começar a perceber, é que devem utilizar política fiscal para evitarem o sobreaquecimentos das economias locais", disse Eyzaguirre.
Os fluxos de capital estrangeiro estão a inundar a região, tendo rondado os 120 mil milhões de euros líquidos no ano passado. "A América Latina está a absorver todo o excesso de liquidez dos países ricos", advertiu Nicolás Eyzaguirre. "O que a China não está a fazer em termos de equilíbrio das contas externas está a ser exportado para a América Latina", acrescentou, alertando para a necessidade de se contrariar os sobreaquecimentos daquelas economias.
Entretanto o Brasil e a Argentina defenderam o aumento da produção de commodities, sem adiantarem a proposta que levarão à próxima reunião do G20. A alta do preço das matérias- -primas tem sido uma das principais preocupações a nível mundial, embora a receita para a cura difira de país para país. A França quer controlar a volatilidade dos preços enquanto o Brasil e a Argentina querem aumentar a produção.
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