WRC
Rali da Suécia. Novas máquinas já aceleram, novos pilotos vêm a caminho
por Rui Catalão, Publicado em 12 de Fevereiro de 2011
DS3 e Fiesta vão receber companhia do Mini Countryman em Maio. Entretanto a FIA já anda a trabalhar a próxima geração de pilotos
As novas regras obrigaram as equipas a repensar os carros para a nova época do WRC. A Citroën largou o tetracampeão C4 e pegou no mais pequeno DS3 para construir outro carro campeão. A Ford escolheu o Fiesta como base (em vez do Focus) para fazer concorrência à grande rival. E a Mini tem um Countryman pronto a entrar em prova em Maio. O Rali da Suécia é o primeiro teste às novas máquinas, mas não é o melhor sítio para tirar conclusões sobre o desempenho dos carros. Nem dos pilotos, porque já se sabe que na neve e no gelo são os nórdicos quem costuma brilhar.
Em 58 edições da prova, só por uma vez o vencedor não foi sueco, finlandês ou norueguês. Foi em 2004, quando Sébastien Loeb - quem mais? - quebrou a tradição nórdica. Por isso, ninguém estranhou quando viu os Ford Fiesta RS de Mads Ostberg e Per-Gunnar Andersson ganhar as primeiras especiais do rali. O jeito para guiar nestas condições está nos genes, corre-lhes pelo sangue.
No caso de Andersson, as vitórias em etapas só valorizam ainda mais o esforço que teve de fazer para participar no rali do seu país. Foi preciso que uma série de empresas e fãs suecos se juntassem para o piloto reunir o orçamento necessário para correr. Andersson agradeceu e respondeu com o pé no pedal. Ontem, o sueco alternou entre as vitórias e os problemas: depois de já ter ganho a primeira especial (na quinta-feira), foi o mais rápido na terceira e na quinta; na segunda e na quarta as chatices bateram-lhe à porta - numa virou o carro ao passar num monte de neve, na outra teve um furo. E lá se foi o sonho de fazer um brilharete ainda maior no Rali da Suécia.
ACADEMIAS DE PILOTOS A questão é inevitável: Sébastien Loeb faz 37 anos ainda este mês e já não terá muitos mais anos de ralis pela frente. Na Citroën a sucessão já está assegurada: o jovem Ogier, também ele francês e Sébastien de primeiro nome, espera fazer frente ao heptacampeão já este ano. Parte do futuro do WRC deve passar pelas mãos dele. Na Ford, apesar de Mikko Hirvonen (30 anos) ainda ter mais algum tempo pela frente, Jari-Matti Latvala (25 anos) é a grande aposta de médio/longo prazo.
O presente da modalidade está controlado, mas é preciso pensar cada vez mais no futuro. A FIA já começou a tratar do assunto e tem neste momento duas academias em andamento para preparar os pilotos do amanhã. Uma delas, a FIA Institute Young Driver Excellence Academy, tem horizontes mais largos e pode lançar novos nomes para todas as disciplinas - da Fórmula 1 aos ralis, passando pelos GT ou pelos carros de turismo. Nesse programa estão incluídos 12 jovens promessas, sendo que três deles já têm um passado nos ralis: o holandês Kevin Abbring (que ganhou a etapa portuguesa do campeonato de juniores do WRC), o norueguês Andreas Mikkelsen (o piloto mais novo de sempre a somar pontos no WRC, aos 18 anos, com um quinto lugar no Rali da Suécia) e o estónio Egon Kaur (que também faz parte da outra academia).
A WRC Academy segue outra lógica: está reservada - como o nome indica - aos ralis e prevê a participação dos pilotos inscritos (neste momento são 18) numa competição paralela, com seis provas (Portugal, Itália, Finlândia, Alemanha, França e País de Gales). Os carros (Ford Fiesta R2) serão idênticos para todos. Além disso, há um limite orçamental de 135 mil euros para tornar mais fácil o acesso ao campeonato.
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