Familiar de idosa diz que solicitou arrombamento do apartamento ao Ministério Público

por Agência Lusa com Cláudia Garcia, Publicado em 09 de Fevereiro de 2011   
Idosa estava morta há nove anos na casa de Sintra. Ninguém tinha dado por isso
Opções
a- / a+

Um dos familiares da idosa que terá falecido em 2002, cujo corpo apenas foi encontrado na terça-feira, assegurou hoje ter solicitado várias vezes ao Ministério Público de Sintra para que autorizasse o arrombamento da porta da habitação.

“Em 2002 participei à PSP e ao tribunal de Sintra o desaparecimento da minha tia. Ao longo dos anos fui muitas vezes ao Ministério Público e disseram-me sempre que se ela estivesse morta notava-se o mau cheiro e por isso nunca deixaram arrombar a porta”, disse à agência Lusa Armando Martinho Gaspar, sobrinho da idosa que terá falecido em 2002 e cujo corpo foi encontrado na terça-feira, no seu apartamento na Rinchoa, Sintra.

O sobrinho septuagenário, que nunca tentou forçar a entrada na habitação por meios próprios, sustenta que “ainda na semana passada” se deslocou ao tribunal para tentar “mais uma vez” apurar novos dados sobre o desaparecimento da familiar, mas teve a mesma resposta: “Não cheira mal, por isso…”.

O sobrinho da idosa acrescenta: “Estou muito triste. Andei a caminho do tribunal várias vezes ao longo destes nove anos e nunca me deixaram arrombar a porta.”

Uma fonte da PSP disse à agência Lusa desconhecer qualquer participação, mas, caso tenha sido feita, teria sido reencaminhada para a GNR, que na altura se encontrava instalada na freguesia de Rio de Mouro.

“Sabemos que houve uma participação feita na GNR de Rio de Mouro, através de uma vizinha. Sei também que de facto houve um familiar que procurou a GNR, mas como não tinha chave não se conseguiu entrar no apartamento”, disse.

Segundo a fonte, em casos semelhantes de suspeita de falecimento de idosos, o procedimento habitual passa por contactar familiares ou, em caso de não haver família, solicitar autorização ao Ministério Público.

“Este caso é muito estranho. Não é normal ninguém ter detetado maus cheiros vindos da habitação”, disse, adiantando que “tudo aponta para que tenha sido morte súbita”.

Os vizinhos da idosa, que terá falecido há nove anos cujo corpo apenas na terça-feira foi encontrado na habitação, asseguram nunca ter sentido maus cheiros que denunciassem a morte da octogenária, que residia na Rinchoa, Sintra.

Na praceta das Amoreiras, os vizinhos da porta 16 comentavam hoje a morte da vizinha que estava dada como desaparecida há nove anos e que apenas na terça-feira foi encontrada pela PSP, chamada ao local a pedido da nova proprietária que adquiriu o imóvel num leilão realizado pelas finanças.

Aida Martins, 82 anos, adiantou à agência Lusa ter participado o desaparecimento da idosa por duas vezes, a primeira em 2002.

"A senhora raramente saia à rua e comecei a estranhar porque via a caixa do correio cheia. A GNR veio cá e nunca quiseram arrombar a porta", disse a moradora do primeiro andar do prédio.

Aida Martins adiantou ter estado junto à porta da idosa por diversas vezes ao longo dos anos para tentar detetar "se havia maus cheiros" que denunciassem a morte da vizinha.

"Nunca cheirou mal porque a varanda da cozinha estava aberta. E nunca ouvimos barulhos do cão que foi encontrado morto junto a ela", disse.

Outra vizinha, Lurdes Marques, confirmou à agência Lusa que nunca detetou maus cheiros no prédio, embora também tenha dado pela falta da vizinha que raramente saia de casa.

Chang Can Hang mora no quarto andar, em frente à porta onde a idosa residia. Esta moradora adiantou ter estado 14 anos fora da sua habitação, tendo regressado apenas o ano passado.

Estupefacta, esta moradora disse não ter conhecimento de que apenas na terça-feira o corpo da idosa tenha sido removido, nem ter detetado maus cheiros.

Segundo o comandante dos bombeiros de Agualva-Cacém, Luís Pimentel, o alerta para a retirada do corpo foi dado pela PSP às 15:50 de terça-feira.

Luís Pimentel adiantou que a idosa foi encontrada na cozinha, junto a um esqueleto de um cão: "O corpo estava deitado de bruços. Não havia maus cheiros e nunca ninguém disse nada".

Uma fonte da PSP disse à agência Lusa que esta autoridade policial foi chamada ao local para abrir a porta do apartamento onde seria encontrada a idosa.

"Fomos lá no âmbito de um processo de penhora das finanças. Isso permitiu o arrombamento da porta e deparámo-nos com um corpo em decomposição, quase em ossadas", disse.

Esta fonte adiantou que "numa primeira análise o corpo já estava há vários anos" na cozinha da habitação.

 



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close