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Singularidades urgentes
por Miguel Gonçalves, Publicado em 07 de Fevereiro de 2011
"ESTAMOS HOJE mais perto ou mais longe de concretizarmos voos interestelares do que Leonardo da Vinci, em 1485, de ver realizado o seu avião?", perguntou, em 2002, Louis Friedman, ex-director e fundador da The Planetary Society. Entre o génio renascentista e os irmãos Wright há quatro séculos de epopeias. Friedman, obviamente, não tem uma resposta definitiva mas uma suspeita: estamos mais perto. Exercício de fé? Nem tanto. Em 2010, quando voltou a pensar no assunto, emocionou-se com o progresso feito ao nível da nanotecnologia, as emergentes e promissoras novas formas de propulsão, a exponencial evolução na área dos materiais ou o crescente envolvimento do sector privado na aventura espacial. Nada de ilusões, falta muito, sobretudo no estudo das nossas limitações físicas e biológicas. A ficção científica tem um termo interessante: ponto de singularidade, um tempo hipotético do futuro em que o progresso tecnológico se torna magicamente rápido, provocando uma profunda décalage em relação à realidade e às escalas e tornando impossível prever qualquer tipo de futuro, mesmo o mais imediato. Uma abstracção filosófica, quiçá, mas que alguns pensam que poderá ser um dos fenómenos palpáveis do nosso tempo e um dos ex libris desse momento de viragem será, precisamente, enquadrarmos a nossa civilização como viajantes interestelares. Uma vez que já chegámos à "singularidade económica/financeira", aguardemos, com ansiedade, a tecnológica!
Coordenador Nacional da The Planetary Society
areiaeestrelas@gmail.com
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Artigo: Singularidades urgentes
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