Uma manifestação apoiada por intelectuais proeminentes da vida italiana como Roberto Saviano e Umberto Eco juntou esta tarde 9000 pessoas na arena PalaSharp, nos arredores de Milão. "Há uma Itália que tem o direito e o dever de fazer-se ouvir, uma Itália que acredita na lei", disse Saviano, autor do romance Gomorra. "Estamos aqui para defender a honra da Itália", afirmou Eco.
O movimento contra Berlusconi não pára de aumentar, sobretudo depois da abertura do inquérito ao envolvimento de Berlusconi com a bailarina menor Ruby. Ainda assim, na imprensa de italiana de hoje o destaque para a manifestação em Milão é secundário face à crise política no Egipto.
O Corriere della Sera compara a afluência à manifestação com um concerto dos U2 e relata que todos os participantes pedem em uníssono a renúncia de Berlusconi. Na abertura do quase comício contra Berlusconi, o constitucionalista Gustavo Zagrebelsky disse que se Berlusconi estivesse apenas passar por uma compulsividade sexual de meia-idade, não haveria nada a dizer. "Mas há aqui uma questão política", afirmou, referindo-se às suspeitas de abuso de influência.
Eco comparou Berlusconi a Mubarak: "Nós achávamos que o nosso presidente tinha em comum com Mubarak apenas uma neta, afinal também tem o mau hábito de não querer renunciar." Recorde-se que Berlusconi é acusado de ter conseguido a libertação de Ruby por alegar que esta era neta do presidente egípcio.
A manifestação terminou por voltas das 18h30. O La Repubblica, que acompanhou o encontro ao minuto, já publicou as primeiras reacções do primeiro-ministro. "Não é para levar a sério. Os italianos sabem que temos capacidade para reformar a justiça italiana."




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