Com um intervalo de poucas horas, o vice-presidente Omar Suleiman dizia numa entrevista gravada que tinha contactado todos os líderes da oposição para discutir o futuro do Egipto e Honis Mubarak afirmava numa entrevista à ABC News que a Irmandade Muçulmana, o principal movimento anti-regime e um dos convidados, era responsável pela violência nas ruas. Suleiman acabava de falar numa "oportunidade preciosa" para dialogar com o grupo banido quando a jornalista Christiane Amanpour começou a publicar os soundbites da conversa de 20 minutos com o presidente no Twitter. "Se me demitisse agora seria o caos", foi um deles, seguido da confissão: "Depois de 62 anos no serviço público já chega. Quero sair." Consequência ou não, a declaração seguinte não se fez esperar: Mohamed Mursi, porta-voz da organização apoiada pelo Hamas, anunciou que a Irmandade Mulçumana "rejeita categoricamente qualquer diálogo com o regime. O povo fez cair o regime e não vemos qualquer interesse em dialogar com um regime ilegítimo."
Num dia que ficou mais uma vez marcado pelos confrontos entre manifestantes contra e pró-regime, Suleiman garantiu na televisão estatal que as reivindicações dos jovens que iniciaram a revolta por reformas no país foram ouvidas. Suleiman pediu-lhes que não esmoreçam com os "rumores das televisões por satélite" e dêem uma oportunidade ao novo governo. Afirmou contudo que o tempo é curto para preparar eleições no prazo de seis meses, face à revisão necessária da constituição e apelou ao diálogo produtivo com a oposição. Outra promessa foi perseguir os autores da violência nas ruas do Cairo, que considerou fruto de uma conspiração, sem avançar nomes. A Armanpour, Mubarak condenou a Irmandade muçulmana.
A quinta-feira ficou também marcada pelos ataques à imprensa estrangeira, verbais e físicos. A ABC publicou uma lista com todos os casos divulgados. Dois jornalistas do New York Times terão mesmo sido detidos pelas autoridades.
No último balanço dos confrontos estavam contavam-se já 13 mortos e mais de mil feridos no Cairo, nos protestos que continuam a centrar-se na praça da Liberdade.




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