A primeira versão do Programa Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura foi revelada ontem, dividido em quatro pontos concretos: Cidade, Comunidade, Pensamento e Arte (este último abrangendo a Música, Artes Performativas, Arte e Arquitectura e Cinema e Audiovisual). Guimarães Capital Europeia da Cultura arranca oficialmente a 21 de Janeiro do próximo ano.
Entre as várias iniciativas destaca-se o ciclo de debates "Europa/Destinos", coordenado pelo escritor e Prémio Nobel da Literatura de 2010, Mário Vargas Llosa, a criação de um novo sistema de navegação na cidade, a abertura de espaços pop-up shops, o lançamento de um programa de empreendedorismo criativo, a instalação de um laboratório de criação digital e a abertura de um laboratório de moda, programa este incluído na Cidade e coordenado por Álvaro Siza Vieira.
Na área do cinema, o objectivo é transformar Guimarães num novo centro de criação de cinematográfica. Assim, 12 autores portugueses mostrarão as suas obras sobre o património histórico da cidade em dez curtas metragens, resultantes de um concurso com realizadores vimaranenses e da criação de uma Plataforma de Produção Audiovisual. Por outro lado, "Histórias do Cinema" é uma longa metragem composta por seis curtas de seis cineastas, entre os quais Manoel de Oliveira, Jean Luc Godard e Peter Greenaway.
No campo musical, não foram referidos nomes de artistas mas os porta-vozes garantiram uma "oferta eclética, que passará pelo jazz, pela música alternativa, rock, world music, underground e nova música portuguesa".
Polémica
No ano passado rebentou a controvérsia. A causa foram os salários do Conselho de Administração da Fundação da Cidade de Guimarães, responsável pelo projecto, apelidados de "exorbitantes e escandalosos" pelo deputado do PCP Agostinho Lopes. Os valores, que atingiam os 14300 euros mensais no caso da presidente Cristina Azevedo, e de 12500 no dos dois vogais executivos, foram reduzidos em 30%. No entanto, e segundo o deputado, "10 mil euros é um exagero". "Continuo a pensar que não há razões que justifiquem valores desta dimensão", referiu Agostinho Lopes à Lusa.
Estes salários irão manter-se até 2015, assim como a Fundação, o que significam oito milhões de euros em ordenados. Por outro lado, várias associações, como a Socorros Mútuos Artística Vimaranense, referiram não ter sido ouvidas no processo de programação do CEC: "Fizemos isto há 14 meses. Até à véspera da apresentação do programa da CEC, não obtivemos nenhuma resposta. Esta atitude da fundação revela uma grande falta de respeito para com os agentes culturais locais", referiu o presidente da ASMAV, Francisco Teixeira.
Francisca Abreu, vereadora da cultura, garantiu à Lusa que tal não é verdade, uma vez que "foi criado um ''núcleo'', constituído por três associações locais, ao qual foi atribuída uma verba de um milhão de euros para gerir a participação das associações locais".
Projecto
Foi Isabel Pires de Lima, ex ministra da Cultura, que primeiro viu em Guimarães potencial para ser Capital Europeia da Cultura (CEC). Estávamos em 2006 e desde então que o projecto tem vindo a ser desenhado.
Em 2008 o Comité de Selecção da Comissão Europeia recomenda Guimarães a par com a cidade de Maribor, na Eslovénia, que acabou por perder para a cidade portuguesa que no ano passado foi oficialmente designada como Capital Europeia da Cultura.
Foram precisos 111 milhões de euros para o projecto, suportados pela Câmara de Guimarães (20 milhões), Ministério da Cultura (20), pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (20) e o restante por fundos comunitários.




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