O serviço de urgência do Hospital da Misericórdia da Mealhada reabriu terça-feira à noite, depois de ter estado encerrado durante o dia, devido à demissão em bloco da direcção clínica, anunciou hoje a Provedoria.
A direcção clínica do Hospital Misericórdia da Mealhada anunciou, na segunda-feira à noite, a sua demissão devido a um “conjunto grave de ingerências na área clínica”, que podem colocar em risco “a saúde dos doentes”, uma versão terça-feira negada à Lusa pelo provedor João Peres.
Luís Teixeira, director clínico demissionário, explicou que “situações de ingerência de pessoal não qualificado na área de saúde tornou insustentável a manutenção da direcção clínica e de 70 a 80 por cento dos médicos”.
Fonte da instituição disse hoje à agência que a situação está a voltar à normalidade e que, para além da urgência, também o serviço de ortopedia está a funcionar, depois de contratados novos médicos.
“Até final da semana a situação no hospital deverá voltar à normalidade”, referiu a mesma fonte.
Entretanto, em comunicado, a Provedoria da Misericórdia da Mealhada, propietária do hospital, anunciou que o médico Manuel Jacinto, que integra os corpos sociais da instituição, assume interinamente a direcção clínica.
No documento, os responsáveis da instituição lamentam que “o diáologo não tivesse sido a melhor solução para a decisão tomada director clínico e ortopedista” Luís Teixeira.
“Estamos conscientes que a sua falta causou enormes prejuízos, quer científicos quer mesmo económicos ao hospital", factor agravado, segundo a Provedoria, pelo facto dos clínicos acompanharem o director clínico, pode ler-se no comunicado.
O provedor João Peres lamentou terça-feira que a direcção clínica não tenha, alegadamente, avisado a instituição do plano de se desobrigar das suas funções, com efeitos imediatos a partir das 00:00 desse dia, após ter terminado uma reunião de profissionais do hospital convocada para anunciar a demissão.
“Abandonaram os doentes”, afirmou o provedor, acusando Luís Teixeira e os médicos que o seguiram naquela decisão de terem “violado regras deontológicas e éticas” da profissão.
A Misericórdia apela, no entanto, aos médicos a apresentarem-se ao serviço e a estabelecerem “o diálogo antes de quaisquer tomadas de posições que causam incómodos a todos”.
Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, Carlos Cabral, mostrou-se “preocupado com o que está a acontecer e com o que pode ocorrer no futuro” àquela unidade de saúde.
“Temo que esta situação afecte de forma drástica a sobrevivência do hospital”, sublinhou o autarca, salientando que “algumas questões devem ser revistas pela administração da Misericórdia”.
Entretanto, uma fonte da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) disse à agência Lusa que a situação no Hospital Misericórdia “está a ser acompanhada”, de modo a acautelar o funcionamento dos protocolos assinados com aquela unidade de saúde privada.
A mesma fonte adiantou que a ARSC mantém com o hospital da Mealhada acordos na área da Medicina Física e Reabilitação, Análises Clínicas, Cuidados Continuados de Saúde e Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia.




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