Presidenciais 2011

Cavaco Silva: "Serei um referencial de confiança e de estabilidade"

Publicado em 23 de Janeiro de 2011   
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Cavaco Silva ganhou as eleições presidenciais à primeira volta com 52,4% dos votos. Manuel Alegre foi o segundo canditado mais votado, com 19,75%. Fernando Nobre somou 14,1% dos votos. Francisco Lopes, o candidato do PCP,  não foi além de 7,14%. O madeirense José Manuel Coelho conseguiu 4,5% e Defensor Moura não foi além de 1,57%. A contagem dos votos confirmou a tendência das várias projecções apresentadas logo às 20 horas pelas televisões. A abstenção teve maioria absoluta: 53,37%.

 

Manuel Alegre rejeita derrota do PS: "não foi o PS que perdeu este combate, fui eu!".

 

Sócrates já saudou o Presidente eleito garantindo uma "leal cooperação" com Belém. "O que eu espero e o que todos os portugueses esperam é que haja uma cooperação institucional. É isso que o país necessita," disse, rejeitando uma segunda interpretação destes resultados

 

Para Passos Coelho, "inicia-se um novo ciclo político", mas o presidente do PSD garante que "estas eleições não foram uma espécie de primárias para as eleições para o parlamento."

 

A candidatura de Manuel Alegre admitiu a derrota minutos depois de conhecidas as primeiras projecções. Maria de Belém afirmou que "objectivo era que houvesse uma segunda volta o que não foi conseguido".Também o Bloco de Esquerda reconheceu que o partido falhou no objectivo destas eleições, já que os resultados conhecidos apontam que Manuel Alegre não conseguiu forçar uma segunda volta, enquanto Cavaco Silva vence à primeira.

Perante estes resultados, António Vitorino defende que é necessário fazer um debate dentro da esquerda e do PS.

Já Paulo Portas salienta que "o candidato apoiado pelo governo perdeu". Este resultado, no entender do líder do CDS, deve ser motivo de reflexão. "É a primeira vez que os portugueses tiveram oportunidade de expressar a insatisfação e a indignação".

Além do mau tempo, também os problemas com os cartões de eleitor e o bloqueio informático contribuíram para a elevada abstenção. A meio da tarde, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), dizia que a confusão instalada em mesas de voto por todo o país e o bloqueio do portal do cidadão e do serviço SMS 3838 iria "aumentar com certeza a abstenção" nas presidenciais.

Recorde-se que, eleitores por todo o país aguardavam hoje à tarde em longas filas, com cartão de cidadão na mão, para obter novo número de recenseamento, problema agravado pelas falhas nos serviços electrónicos disponibilizados pelo Governo para facilitar o processo.

Perante estas dificuldades, o MAI vai instaurar um inquérito para apurar responsabilidades sobre falhas nas mesas de voto. Também o PSD revelou que vai chamar o ministro da Administração Interna ao Parlamento para explicar os problemas na votação.  

O dia de hoje ficou também marcado por algumas críticas feitas à campanha eleitoral. Ramalho Eanes admitiu alguma "mágoa" pela forma como decorreu a campanha. "Depreciou-se aquilo que é o conteúdo das competências, poderes e deveres do presidente", apontou o ex-presidente da República.

Também Mário Soares disse que a campanha foi "um bocadinho desagradável" e "pouco interessante". O ex-presidente disse que tinha algumas expectativas em relação ao resultado do escrutínio.



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